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domingo, 6 de julho de 2014

carta para Ana


instalação do Festival de Arte Serrinha "Eu te como", da série portais de fogo do artista Aguilar


Ana querida,

quantas saudades! ter você por perto assim de novo me enche de vida, quantas noites pensei nas suas palavras, nas conversas que tivemos em frases entrecortadas, coladas, remendadas de sonhos, anseios e vontades.

sabe, te ouvi aquela noite e quis segurar tua mão, quis de verdade te dar um beijo e te puxar pra perto. gosto tanto de você. é quase como gostar da minha versão mais corajosa, que nunca existiu. é espelho, é sonho, é desejo.

imagino sua pele lisa, lisa, como minhas mãos escorregariam facilmente sobre sua barriga, acariciando seu ventre, suas pernas, dando cócegas, com as mãos suaves e quentes.

eu respiraria o seu hálito, comeria sua voz, devoraria sua rouquidão.

Ana, quero te comer! devorar, morder, fazer de mim sua vontade e prazer. sei, sei, imagino, que você viveu o desbunde a sua maneira, sexo, drogas, chazinhos naturais, conversa de senhoras e tudo o mais transformado em versos... você viveu, viveu de verdade e me conta por suas cartas e diários, me enganando e deixando muita curiosidade em volta.

só pra gente nunca mais te esquecer, não querer saber de ir embora ou de te deixar. só pra gente te amar, sugar, recitar. pra gente te sentir tão de dentro, que fica difícil escapar.

me entreguei logo de cara e fácil.

você nem precisou tentar.

e agora me entrego aqui em coro, lágrima e devoção. toma tudo, leva. logo!

por favor.

eu fico vazia só de pensar que tudo um dia precisa acabar.

um beijo

eu.

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