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quarta-feira, 27 de maio de 2015

pra não desaprender

 
imagem above it all

não, não quero desaprender... volto aqui e sinto o aconchego de receber suas correspondências, de brincar com as palavras, de não ter medo de amar e ser boba, nas cartas, na vida.

desaprender, desprender.

devaneio é voltar e dar voltas por você.

sentindo saudades, mordendo o canto gordinho da boca, pensando naquele beijo. sempre tem um beijo que fica, em mim, em você, nos sonhos de edredom, nas noites de calor, fica impresso nos lábios, nas digitais.

nas pontas dos dedos que dançam e dançam, em movimentos suaves das mãos, por trás dos véus...

e é inevitável sorrir, quando volta a lembrança, do seu jeito brincalhão, que não se contenta, até me ver estrebuchar de rir, e rir mais.

parece brincadeira, mas tem momentos que a vida é assim.

é bom lembrar, registrar e saber que toda tristeza tem fim.


domingo, 6 de julho de 2014

carta para Ana


instalação do Festival de Arte Serrinha "Eu te como", da série portais de fogo do artista Aguilar


Ana querida,

quantas saudades! ter você por perto assim de novo me enche de vida, quantas noites pensei nas suas palavras, nas conversas que tivemos em frases entrecortadas, coladas, remendadas de sonhos, anseios e vontades.

sabe, eu te ouvi aquela noite e quis segurar tua mão, quis de verdade te dar um beijo e te puxar pra perto. gosto tanto de você. é quase como gostar da minha versão mais corajosa, que nunca existiu. é espelho, é sonho, é desejo.

imagino sua pele lisa, lisa, como minhas mãos escorregariam facilmente sobre sua barriga, acariciando seu ventre, suas pernas, dando cócegas, com as mãos suaves e quentes.

eu respiraria o seu hálito, comeria sua voz, devoraria sua rouquidão.

Ana, quero te comer! devorar, morder, fazer de mim sua vontade e prazer. sei, sei, imagino, que você viveu o desbunde a sua maneira, sexo, drogas, chazinhos naturais, conversa de senhoras e tudo o mais transformados em versos... você viveu, viveu de verdade e me conta por suas cartas e diários, me enganando e deixando muita curiosidade em volta.

só pra gente nunca mais te esquecer, não querer saber de ir embora ou de te deixar. só pra gente te amar, sugar, recitar. pra gente te sentir tão de dentro, que fica difícil escapar.

me entreguei logo de cara e fácil.

você nem precisou tentar.

e agora me entrego aqui em coro, lágrima e devoção. toma tudo, leva. logo!

por favor.

eu fico vazia só de pensar que tudo um dia precisa acabar.

um beijo

eu.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

trocando cabeças!


desenho de Juli Ribeiro


trocando cabeças, mergulhando num escorregador de quase 90 graus. rolando na neve. tomando um solzinho... dançando nas nuvens da clara. clarinha, saudades docê. doce. ardida. pimenta. rabugenta e linda!

saudades das suas palavras pra mim... saudades das minhas palavras pra outra. noutra. tão. quase. sem fim.

porque o amor transborda por aqui e só quero mais um beijo. um queijo! e goiabada...

e já fui e voltei, sem resistir. ah, nem tentei, não!

perdoa a alucinação da emoção por voltar, da febre, da dor no pé e dos discursos redundantes.


* por enquanto: pra saber mais, ou olhar por outra janela e escorregar por outra porta: yunaribeiro.blogspot.com.br

terça-feira, 21 de maio de 2013

correspondências


ilustração de Juli Ribeiro


Dear me! Miss Brill didn't know whether to admire that or not!
Fini le voltage atroce.
Fico olhando para o desenho e não vejo nada.
Certains regardant ces peintures, croient y voir des batailles.
Desisti provisoriamente de qualquer decisão mais brusca.
A única coisa que me interessa no momento é a
lenta cumplicidade da correspondência. Leio para
mim as cartas que vou mandar: "Perdoe a
retórica. Bobagem para disfarçar carinho".

Ana Cristina Cesar, Luvas de Pelica em: A teus pés.

Esse será o endereço das correspondências, sei que parece confuso, mas é meio por acaso, meio intencional, pra se perder e encontrar. Um jogo de quebra-cabeça de peças infinitas.

Para ver as postagens do "sonhando" o endereço é yunaribeiro.blogspot.com.br